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Eleições 2026: por que uma terceira via liberal não foi construída?

A cada novo ciclo eleitoral no Brasil, o cenário se repete: grupos de políticos ditos moderados se reúnem, lançam manifestos pela renovação, falam em racionalidade fiscal e diálogo civilizado. Porém, invariavelmente, chegamos ao segundo turno com os mesmos dois nomes: a esquerda de Lula e a direita de Bolsonaro. O centro desaparece.
Por quê? A resposta que sugiro para essa pergunta aponta para dois culpados, e o segundo deles é o que ninguém quer ouvir.
O primeiro são os próprios políticos do centro, que terceirizam sua identidade ao sabor das pesquisas. Ora flertam com pautas de costumes para não perder a direita, ora suavizam o discurso econômico para não assustar o eleitorado popular. O resultado é a invisibilidade: sem diferenciação, sem voto. Uma terceira via não nasce de “cúpulas de caciques”, mas sim de uma agenda clara e de coragem para dizer ao eleitor coisas que ele não quer ouvir.
O segundo culpado são os próprios eleitores. Há um conforto perigoso na polarização. Ela dispensa o esforço de pensar em nuances e projetos, pois basta escolher um lado, vestir a camisa e xingar o outro. O candidato moderado exige mais: pede que o eleitor aceite meia vitória, que conviva com a complexidade, que abra mão da adrenalina do confronto. E, na hora de votar, muita gente que defende o centro nas redes sociais aperta o número do candidato radical “para não desperdiçar o voto”.
Enquanto isso, Lula governa ampliando gastos sem sustentabilidade fiscal, e a família Bolsonaro segue polarizando com narrativas de medo. Os dois extremos têm uma coisa em comum: sabem exatamente quem são e para quem falam, e contam com eleitores fiéis que nunca os abandonam, por pior que seja o desempenho.
Em 2026, o Brasil precisaria, novamente, de uma candidatura que defendesse liberdade econômica sem abrir mão da proteção social, e que respeitasse a democracia não como slogan, mas como limite intransponível. Essa candidatura existe no discurso de muitos, mas não é oferecida com consistência e regularidade. No voto, ainda não encontrou dono, e parte da culpa é de quem continua esperando o candidato perfeito para, no fim, votar no de sempre.
Rafael Resende é consultor em gestão pública e ciências políticas, analista político e líder Livres.


Fonte: Jovem Pan

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