O mercado de juros está mais otimista com o arrefecimento da inflação. Os últimos índices de inflação – o IPCA de junho e o IPCA-15 de julho – apresentaram variação menor que a esperada pelo mercado financeiro. No entanto, a desaceleração deve ser vista com cautela.
Primeiro, porque a perda de força inflacionária decorreu principalmente pela queda dos preços dos alimentos, muito mais relacionado a choques positivos de oferta, sem relação com os efeitos contracionistas da política monetária restritiva. Segundo, porque há uma série de riscos que não podem ser ignorados.
Entre os fatores de incerteza inflacionária, há dois relevantes: o conflito geopolítico no Oriente Médio e a política fiscal expansionista do governo.
No Oriente Médio, a guerra está longe de terminar. A paralisação do conflito atualmente tem muito mais a ver com o reduzido estoque militar de mísseis de alta precisão dos EUA do que um acordo de paz entre Teerã e Washington. Com a reposição dos estoques de mísseis pelos EUA, é provável a retomada da guerra com todos os efeitos de alta no preço do petróleo. E petróleo em alta significa impactos inflacionários.
Quanto à política fiscal, o risco decorre do fato de o governo turbinar políticas de crédito que fomentam fortemente a demanda de consumo, principalmente no setor de transporte e construção civil, gerando pressão nos preços.
Apesar desses riscos, o mercado segue mais otimista com o cenário inflacionário, precificando queda dos juros. No boletim Focus a Selic a projeção de Selic parra o fim de 2026 passou de 14% a.a. para 13,75% a.a. de uma semana para a outra. Os juros futuros também recuaram no decorrer de uma semana. A taxa prefixada para janeiro de 2029 passou de 14,72% a.a. para 14% a.a.
Tomara que o mercado esteja certo e este humilde economista, errado.
Fonte: Jovem Pan