As últimas pesquisas eleitorais vêm causando preocupação no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em todos os levantamentos, o petista tem perdido fôlego nos últimos meses e uma vantagem confortável se transformou em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em cenários de segundo turno projetados por todos os institutos. Em alguns deles, inclusive, o senador ultrapassou numericamente o atual presidente.
Apesar do alerta, o cenário interno não é de terra arrasada: a reportagem apurou que o PT não pretende recalcular a rota no momento e acredita que o cenário econômico e o início oficial da campanha vão potencializar a candidatura de Lula. “Flávio está em campanha, o presidente, ainda não”, disse um deputado. O sentimento é ecoado por outros congressistas e líderes de PT e partidos aliados.
No campo econômico, aliados do presidente esperam pelos efeitos da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. O histórico recente, no entanto, não é animador: recordes de empregabilidade, inflação controlada e o exito na negociação para derrubar a maioria das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos não conseguiram evitar a queda de Lula nas pesquisas. Por isso, o governo aposta mais fichas em um projeto mais popular: o avanço da discussão pelo fim da escala 6×1.
A resistência do setor produtivo, no entanto, ajuda a narrativa da oposição de que a suposta irresponsabilidade fiscal do governo Lula vai “quebrar” o Brasil. Apesar disso, a avaliação é que, faltando poucos meses para a eleição, a pauta ajuda a alavancar a candidatura do atual presidente, especialmente entre os mais jovens, demografia que é uma das que mais rejeita Lula e o PT.
Outro trunfo da campanha petista está na força da figura do presidente: apesar dos 80 anos, Lula com energia e discurso afiado. Notoriamente reconhecido com um dos grandes oradores da história da política brasileira, o petista tem histórico de crescimento na hora H: debates, discursos e propagandas na TV e na rádio foram essenciais nas três vitórias de Lula até aqui. Mesmo nas vezes quem que foi derrotado, o ex-sindicalista teve momentos de protagonismo nos embates com Fernando Collor e FHC.
A dificuldade, no entanto, está em traduzir a linguagem analógica para a nova realidade. Na era das redes sociais e dos cortes, Lula tem dificuldades para se adaptar. Por outro lado, a direita domina o meio desde a primeira campanha de Jair Bolsonaro (PL).
Apesar disso, o trabalho de Sidônio Palmeira à frente da comunicação do governo é considerado bom. De acordo com congressistas do PT, o ministro tem conseguido levar a mensagem do governo para fora da “bolha da esquerda”. A campanha de Lula deve seguir padrão semelhante. A definição de Flávio Bolsonaro como principal adversário também é vista com bom olhos pelos petistas. Menos carismático que o pai, o senador também não é visto como um grande orador ou debatedor.
Fonte: Jovem Pan