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‘Taxa das blusinhas’: pesquisa interna que apontou rejeição de 70% foi determinante para revogação improvisada por Lula

O que muda com o fim da ‘taxa das blusinhas’
Uma pesquisa interna realizada pelo Palácio do Planalto foi o estopim para a mudança repentina de postura do governo federal em relação à chamada “taxa das blusinhas” — a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50.
O levantamento identificou que a taxa possuía 70% de rejeição, consolidando-se como o item mais impopular entre todas as ações da atual gestão.
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “bater o martelo” e anunciar o fim do tributo ocorreu de forma improvisada na última terça-feira.
Diferente de outros anúncios econômicos de grande impacto, este não contou com entrevista coletiva ou qualquer estratégia publicitária prévia.
Além dos números internos, dois fatores externos aceleraram a decisão presidencial:
protagonismo do Legislativo: o governo temia que o Congresso avançasse com a derrubada da taxa por iniciativa própria, especialmente sob a liderança da oposição. Isso deixaria o Executivo “a reboque” dos acontecimentos, gerando um desgaste político ainda maior.
mobilização digital: a forte repercussão negativa nas redes sociais ao longo da última semana, inflamada por parlamentares oposicionistas, elevou a urgência do tema no gabinete presidencial.
Em um cenário pré-eleitoral de polarização, fontes do Planalto afirmam que “qualquer mudança que melhore o humor da população pode se reverter em votos”, e essa percepção político-eleitoral foi o peso final na balança presidencial.
Divisão no Governo
A manutenção da taxa era defendida pela área técnica, liderada, anteriormente, pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin. Os argumentos focavam em:
prevenção da perda de empregos no setor nacional.
proteção dos setores têxtil e varejista brasileiros.
combate a manobras de fracionamento de envios para burlar a fiscalização.
Entretanto, o debate político ganhou força desde o início do ano, impulsionado principalmente pela primeira-dama, Janja da Silva.
Com a ausência de Haddad no dia a dia imediato das discussões no Planalto, a ala política viu o espaço necessário para convencer o presidente de que o impacto eleitoral negativo superava os ganhos fiscais.
Receio de ampliação da isenção
Apesar do alívio popular com a revogação, o governo agora monitora um novo risco no Congresso: a possibilidade de parlamentares tentarem estender a isenção ou reduzir impostos para as pequenas empresas do setor têxtil brasileiro.
Se essa pauta avançar, o impacto nas contas públicas poderá ser significativamente maior do que o previsto originalmente com o fim da taxa de importação, criando um novo “rombo” no orçamento federal.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República


Fonte:

g1 > Política

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