Se Liga Cacoal – Header
.

Se Liga Cacoal – Header

Governador da Flórida planeja retorno em 2028 após tropeço em 2024

O governador da Flórida, Ron DeSantis, está longe de ter saído de cena depois da derrota nas primárias republicanas de 2024. Pelo contrário: já articula, ainda que com cautela, um possível retorno na corrida presidencial de 2028. Mas, para entender o peso desse movimento – especialmente para brasileiros – é preciso olhar menos para Washington e mais para a Florida, que virou peça central nesse tabuleiro político.
A Flórida hoje não é apenas um estado grande. Ela se transformou em um dos principais polos de poder do Partido Republicano. Com mais de 22 milhões de habitantes e um dos maiores colégios eleitorais dos Estados Unidos, o estado deixou de ser indeciso, como foi por décadas, e passou a votar de forma consistente nos republicanos, especialmente sob a liderança de DeSantis. Isso muda o jogo nacional, porque quem controla a Flórida ganha acesso a uma base eleitoral enorme, grandes financiadores de campanha e uma vitrine política com alcance em todo o país.
É justamente essa vitrine que DeSantis tenta preservar enquanto se reposiciona. Depois de uma campanha considerada engessada em 2024, ele agora aposta em uma imagem mais pragmática, focada em resultados administrativos. A ideia é vender o chamado “modelo Flórida” como prova de que pode governar os Estados Unidos com eficiência, e não apenas com discurso ideológico.
Só que esse plano esbarra em um obstáculo evidente: Donald Trump. O presidente continua sendo a principal força dentro do Partido Republicano e, na prática, ainda dita o ritmo da política conservadora no país. DeSantis, que já foi visto como herdeiro natural desse movimento, decidiu enfrentá-lo em 2024 – e saiu derrotado. Agora, tenta um equilíbrio delicado: não romper com Trump, mas também não se submeter completamente a ele. Evita críticas diretas, adota pautas semelhantes e mantém pontes com aliados trumpistas, numa tentativa clara de reconstruir espaço sem reacender conflitos.
Outro ponto central é o chamado “jogo de cadeiras” que começa a se desenhar na Flórida. Como a lei estadual impede um terceiro mandato consecutivo, DeSantis deixará o governo em janeiro de 2027. Isso abre uma disputa intensa pelo controle do estado, que não é apenas simbólico – é estratégico. Quem assumir o comando da Flórida herdará uma máquina política poderosa, com influência direta nas eleições nacionais. Para DeSantis, manter um aliado no poder local pode ser decisivo para sustentar uma candidatura em 2028.
Nesse cenário, surge um dilema importante: aceitar ou não um eventual cargo em um governo federal. Essa possibilidade existe, mas é vista com cautela. Assumir uma posição de destaque poderia dar visibilidade imediata, mas também colocaria DeSantis em posição subordinada, dificultando um projeto próprio no futuro. Ficar de fora, por outro lado, preserva sua independência, mas exige que ele continue relevante sem ocupar um cargo em Washington.
Ao mesmo tempo, o tabuleiro republicano para 2028 já começa a se formar, com nomes como J.D. Vance, Marco Rubio e Nikki Haley também se movimentando. Todos, de alguma forma, orbitam a influência direta de Trump – seja buscando apoio ou tentando se viabilizar como alternativa.
Para brasileiros, essa disputa tem impacto mais direto do que parece. A Flórida abriga uma das maiores comunidades brasileiras no exterior e funciona como porta de entrada para negócios, turismo e imigração. Mudanças políticas no estado costumam antecipar tendências nacionais, especialmente em temas como imigração e economia – áreas que afetam diretamente quem vive ou pretende viver nos Estados Unidos.
No fim, o cenário é de reconstrução. DeSantis não desapareceu, mas também não é mais visto como inevitável. Ele tenta ganhar tempo, reorganizar alianças e manter relevância até que o caminho até 2028 fique mais claro. E, nesse processo, a Flórida deixa de ser apenas sua base eleitoral para se tornar o principal ativo político de um projeto que ainda está em aberto.


Fonte: Jovem Pan

Destaques